Internacional

Cingapura: aperto de mão entre Kim e Trump abre cúpula da paz

As discussões enfocam construção da paz permanente na Península Coreana (Reuters)

Ao sentar ao lado de Kim, Trump disse ter esperança de que a cúpula será “bem-sucedida”. “Superamos todos os problemas e estamos aqui hoje”, respondeu o coreano

Começou nesta segunda-feira (11) já terça-feira 12 em Cingapura, o histórico encontro do líder da Coreia Popular, Kim Jong Un com o presidente dos EUA, Donald Trump. A esperada reunião teve início com um aperto de mão entre Kim e Trump e pode abrir caminho para a assinatura de um tratado definitivo de paz e para a desnuclearização da península coreana.

O local do encontro é hotel Capella, na ilha de Sentosa, que é famosa por suas praias turísticas e seus campos de golfe. Cingapura designou partes de sua região central como uma “zona especial”, onde os procedimentos de segurança estão mais rigorosos. O espaço aéreo sobre a rica cidade-Estado está temporariamente restrito durante partes dos dias 11, 12 e 13 de junho.

Quando se sentou ao lado de Kim, Trump disse ter esperança de que a cúpula será “tremendamente bem-sucedida”. “Teremos um ótimo relacionamento pela frente”, acrescentou. O líder norte-coreano disse em seguida que houve uma série de “obstáculos” para o encontro. “Nós superamos todos eles e estamos aqui hoje”, disse a repórteres, por meio de um tradutor.

Kim Jong disse que deseja “avançar para uma desnuclearização da península coreana”, mas por meio de um processo “passo a passo”, com garantias de segurança. Além do encontro de Trump e Kim, estão previstas diversas reuniões entre representantes dos dois países ao longo de cinco dias.

ERA DE MUDANÇA

Como registrou a agência de notícias estatal KCNA, da Coreia do Norte, as discussões vão enfocar “a questão da construção de um mecanismo de manutenção da paz permanente e durável na península coreana, a questão da realização da desnuclearização da península coreana e outras questões de interesse mútuo”. Trata-se de uma “era de mudança”.

Antes da reunião cara a cara, e do aperto de mão, após deixar a atribulada cúpula do G7 no Canadá, Trump havia dito aos repórteres que “ia saber na hora” se a negociação “iria avançar ou não”. “Não tem como saber [previamente], isso nunca foi feito nesse nível antes”. Acompanham Trump seu chefe de gabinete John Kelly, o secretário de Estado Mike Pompeo, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, e o conselheiro John Bolton.

O líder norte-coreano Kim está acompanhado dos seus principais auxiliares, Ri Yong Ho e Kim Yong Chol, e da sua irmã, Kim Yo Jong. Conforme a Reuters, Trump teria se convencido de que a Coreia está disposta à desnuclearização, mas não desarmamento unilateral, por etapas verificáveis e alívio escalonado das sanções. Está em discussão as garantias que propiciem um acordo definitivo de paz. Os presidentes Xi Jinping (China) e Vladimir Putin (Rússia) expressaram do final de semana seu apoio ao sucesso da reunião em Cingapura.

Foi a declaração de Ano Novo do líder Kim, pela reconciliação intercoreana, seguida pela delegação conjunta norte-sul nos Jogos Olímpicos de Inverno e pela cúpula de abril com Moon Jae-in (presidente do sul), que conduziu ao isolamento da política de sanções, provocações e ensaios de ataque nuclear à Coreia Popular, que haviam forçado Pyongyang, sob as mais duras condições, a desenvolver sua força de dissuasão nuclear, após ter sido ameaçada pelo governo de W. Bush (que invadira o Iraque e o Afeganistão) com “ataque nuclear preventivo”.

REUNIFICAÇÃO

A cúpula quase foi desmarcada após o conselheiro Bolton de forma provocativa alardear que a desnuclearização teria que ser “no modelo líbio”.  Pyongyang deixou claro que não estava discutindo a desnuclearização unilateral, mas um caminho para a paz, reconciliação e desnuclearização na península, que é parte do objetivo maior de reunificar pacificamente a milenar nação.

Nos últimos anos, a Coreia Popular foi caluniada como um país “isolado e atrasado”, mas mostrou toda a sua capacitação científica, industrial e militar, ao construir um arsenal nuclear modesto – mas bastante efetivo, inclusive com a Bomba-H – e também mísseis balísticos capazes de alcançar o agressor. Ainda, máquina de propaganda do imperialismo não cessava de caracterizar Kim como “ditador”, “louco” e “paria” – mas não pode evitar que o verdadeiro Kim surgisse diante do mundo.

Ao reafirmar a cúpula, o governo da Coreia Popular teve a sensibilidade de registrar que, com todas as peculiaridades de Trump ou que lhe são atribuídas, ele foi o primeiro presidente dos EUA a se dispor a discutir cara a cara uma solução para a península coreana e para um “armistício” que já dura 65 anos. Nação milenar, a Coreia foi dividida pela ocupação norte-americana e até hoje o Pentágono mantém no país mais de 28 mil soldados e dezenas de bases.

ANTONIO PIMENTA