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João Goulart Filho é aclamado candidato a presidente em Convenção Nacional do PPL

João Goulart Filho e Léo Alves formam a chapa oficial do Partido Pátria Livre. Fotos: Luzineide Ramos e Ernesto Andrade

Em convenção nacional, o Partido Pátria Livre (PPL) lançou no domingo (5) João Goulart Filho como candidato à Presidência da República. Compõe a chapa como candidato a vice o professor da Universidade Católica de Brasília, Léo Alves. O candidato é filho do ex-presidente João Goulart, o Jango, que teve mandato presidencial, de 1961 a 1964, interrompido pela ditadura militar. É a primeira vez que João Goulart Filho concorre ao cargo.

Segundo Goulart Filho, sua principal proposta é enfrentar a crise que está atormentando a vida dos brasileiros. Segundo ele, esta crise foi provocada pela insistência dos últimos governos em aplicar uma política neoliberal que concentra violentamente a renda no rentismo em detrimento da produção e da sociedade. “Nossa proposta é elevar o poder de compra dos salários. A ideia é dobrar o salário mínimo em quatro anos”, afirmou João Goulart. “Com isso, as empresas, que estão com capacidade ociosa, começam a vender e a produzir mais. O resultado será a retomada das contratações e a redução do desemprego”, acrescentou o candidato.

João Goulart defendeu a retomada do nacionalismo e do desenvolvimentismo. “Nós tivemos um processo interrompido em 1964 em que as propostas tanto do trabalhismo como do nacionalismo brasileiro vinham sendo desenvolvidas. Nós estamos resgatando esse processo e temos a obrigação de resgatar a proposta daquele momento”, disse. “Precisamos enfrentar o desemprego que assola 13 milhões de pessoas e, se computarmos os subempregados, esse número chega a 27 milhões de pessoas. Nosso plano é criar 20 milhões de empregos em quatro anos”, destacou o candidato.

Entre as propostas citadas pelo candidato está a redução drástica dos juros da dívida pública para dar condições ao Estado de investir no desenvolvimento social. “Assim, evidentemente, nós vamos ter recursos para saúde pública, educação e segurança que são áreas extremamente sensíveis”. Goulart destacou ainda o resgate da soberania, o controle das remessas de lucros das empresas estrangeiras e a revisão do conceito de segurança nacional. “Não podemos mais entregar nosso patrimônio, nosso subsolo, nossas faculdades, nossa educação, petróleo e geração elétrica para empresas multinacionais”. Ele propõe ainda abrir um diálogo com a sociedade para debater a reforma agrária, urbana, tributária e educacional.

O presidente do PPL, Sérgio Rubens Torres, iniciou os trabalhos da convenção analisando a crise brasileira e dizendo que o Brasil tem todas as condições de superá-la. “Precisamos inverter a lógica da concentração da renda. Eles dizem que tem que concentrar para depois crescer, mas não é verdade. O país só cresce se distribuir a renda. É com o aumento da renda que a economia cresce, que o mercado interno se amplia. Por isso a proposta do nosso candidato de dobrar o salário mínimo em quatro anos é correta”, disse ele.  Sérgio Rubens lembrou que o salário mínimo brasileiro é um dos menores do mundo. “Além disso, os bancos brasileiros têm a maior rentabilidade entre os maiores bancos do mundo”, denunciou. “Isso é fruto das maiores taxas de juros reais do mundo que o país vem tendo nos últimos anos”, destacou o dirigente partidário.

Diversos líderes sindicais, da juventude, das mulheres e representantes dos movimentos sociais prestigiaram a convenção do PPL. Delegados e convencionais de todo país votaram por aclamação a indicação de João Goulart Filho para presidente e Léo da Silva Alves para vice. Léo Alves foi procurador federal e consultor do Congresso Nacional. Atualmente, é professor da Universidade Católica de Brasília, professor-visitante de escolas de Governo, Escolas de Magistratura, Escolas de Contas e Academias de Polícia em 21 Estados. Casado com Ana Cácia Freire da Silva Alves, é autor de 45 livros, conferencista com trabalhos na América do Sul, Europa e África. “Nós vamos construir um túnel para comunicar a esperança com o povo brasileiro que está separado dela por uma montanha de mentiras e de políticos corruptos”, disse Léo Alves, em seu discurso na convenção.

A direção do PPL afirmou que João Goulart Filho representa a melhor proposta porque “condensa a luta histórica do povo brasileiro, algo premente na situação atual de nosso país, exausto devido a uma política insana de destruição nacional, que conduziu ao desemprego de milhões de brasileiros; ao fechamento de milhares de empresas nacionais; ao malbaratamento dos bens públicos – e à corrupção absolutamente alucinada e sem peias, exposta vergonhosamente à Nação nos últimos anos”.

SÉRGIO CRUZ

 

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