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Sem acordo, caminhoneiros mantêm greve que já mobiliza todo o país

A greve dos caminhoneiros continua acrescendo nesta quarta-feira, 23, o terceiro dia de greve. Trabalhadores estão mobilizados em 22 estados e no Distrito Federal, organizando bloqueios de rodovias e vias de acesso, totalizando 253 focos de protesto contra a política de reajuste do óleo diesel.

No final da tarde de hoje, 23, uma reunião na Casa Civil com representantes de caminhoneiros autônomos terminou sem acordo e os motoristas decidiram manter a paralisação nacional iniciada na segunda-feira.

Dirigentes da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) e da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) afirmaram que o governo não apresentou propostas para o fim da paralisação. “O governo foi irresponsável com a situação que está o país hoje. O governo foi avisado com antecedência e nem mesmo abriu negociação”, afirmou o presidente da CNTA, Diumar Bueno, após o fim da reunião que contou com presença do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e dos Transportes, Valter Casimiro.

Com o movimento, além dos protestos, a greve começou a ser sentida em vários setores do país (ver matérias nesta página). O aeroporto de Brasília, que ficou sem combustível, começou a cancelar voos na terça-feira. Falta combustível em vários postos em cidades do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Distrito Federal e o abastecimento de frutas e verduras do Ceasa está comprometido no Ceará, Sergipe e no Rio, onde houve alta dos preços de alguns alimentos. Também os Correios interromperam a postagem de encomendas com dia e hora marcados.

Até agora, a única resposta do governo frente à mobilização dos caminhoneiros foi propor a eliminação da Cide [Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico], um dos impostos que incidem sobre o combustível, a qual representa, porém, alíquota de R$ 0,10 por litro para a gasolina e R$ 0,05 por litro para o diesel.

Assim mesmo, o governo condicionou esta proposta à aprovação pelo Congresso Nacional da reoneração da Folha. Segundo o ministro da fazenda, Eduardo Guardiã, “uma vez que a reoneração for aprovada no Congresso, iremos editar um decreto para eliminar a Cide do diesel, que se trata de um imposto regulatório”. A possibilidade de zerar a alíquota não foi considerada suficiente pela categoria. Em nota, a Abcam disse que a solução apresentada não resolve o problema, já que a Cide representa apenas 1% dos 27% dos tributos no preço do diesel. Segundo a entidade, essa medida vai reduzir no máximo R$ 0,50 do litro do combustível.

Os caminhoneiros em greve são trabalhadores autônomos, ou seja, não vinculados a nenhuma empresa de transporte, e o óleo diesel representa 42% do custo da atividade. Frente ao aumento de 57,78% sofrido pelo Diesel desde julho do ano passado, a proposta do governo chega a ser risível.

Esse aumento inescrupuloso, diante de uma inflação oficial acumulada entre julho de 2017 e abril de 2018 de 2,68%, deve-se à política aplicada pelo presidente da Petrobrás, Pedro Parente, na composição dos preços dos combustíveis. Desde 03 de julho a Petrobrás está repassando para os combustíveis a variação da cotação do petróleo no mercado internacional – e assim já se vão uma série de reajustes consecutivos, ainda que a Petrobrás não dependa do mercado internacional para sobreviver.

No entanto, segundo as declarações de Parente, não haverá qualquer mudança nesta política: “Ficou esclarecido na reunião que, em hipótese nenhuma, em nenhum momento, passou pela cabeça do governo pedir qualquer mudança na política de preços da Petrobras. Não houve discussão em relação à política”, afirmou, ao relatar reunião em que esteve com os ministros Eduardo Guardia e Moreira Franco (Minas e Energia) para discutir a questão do preço do óleo Diesel.